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Sobre amor, fornincanço e outras coisas
Publicado em: 10 Ago, 2015
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Era uma noite diferente. Mussolini fora ao teatro. A peça terá sido tão entusiasmante que à saída o futuro ditador italiano decidiu pedir a Anna, mãe da pós-adolescente Rachelle, que o deixasse levar a sua filha para casa. Perante a resistência de Anna, Mussolini sacou da pistola e atirou-se à mãe assustada: “Está a ver este revólver, senhora Guidi? Tem seis balas. Se a Rachelle não vier comigo, haverá uma para ela e cinco para mim! A escolha é sua…” Anna cedeu, claro – apesar de saber o que se passaria daí a pouco. Benito era conhecido por ser um fornicador implacável – o que por si só não tem nada de mal. Problema: durante o acto era violento, egoísta e… rápido – uma espécie de Speedy Gonzalez do enrolanço cujas performances raramente duravam mais de três minutos (ainda assim bem mais do que as de JFK, que se estendiam por 30 épicos segundos).

Para além disso, era, por assim dizer, excêntrico. Entre um colchão fofinho e um chão gélido escolhia sempre o segundo. Também apreciava escrivaninhas e mesas de uma forma geral. Consumado o acto, o animal feroz mostrava a sua outra cara. Tornava-se carinhoso e amável, escrevia cartas de amor que revelavam fragilidade e paixão – era humano. Isto para dizer que todos – mesmo os fascistas sanguinários, como era Benito – temos muitos dentro de nós. O bom e o vilão. O cobarde e o destemido. O egocêntrico irritante e o despojado militante. O exibicionista deslumbrado e o fanático da discrição. Um e o outro a conflituar amargamente em todos os segundos da nossa vida. Compreender isto – nomeadamente na pessoa que amamos – é o segredo para que o sucesso de uma relação não seja tão improvável como ver o garboso Cláudio Ramos a passear na praia com a depilação completa por fazer.

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A família Mussolini

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Rachelle Mussolini









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