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Fact Checker: a minha crónica no site da Sábado
Publicado em: 03 Out, 2014
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NO PS A PAZ COMPRA-SE NA MERCEARIA

Ao avançar para a disputa com António José Seguro com a firmeza com que o fez, António Costa provou que possui a capacidade de ruptura que caracteriza os bons políticos. Seria agora suposto que, depois de vencer as primárias socialistas, estivesse disponível para pagar o preço da vitória esmagadora, combatendo com as suas ideias a resistência previsível da ala segurista à sua liderança.

Mas em vez de construir a paz em torno de ideias, Costa preferiu comprá-la como quem adquire rapidamente um quilo de maçãs amargas numa mercearia de bairro. A iniciativa não o dignifica enquanto líder político. E o mesmo se aplica aos que, do outro lado, com Álvaro Beleza à cabeça, aceitaram participar neste filme decrépito – é que, para que alguém compre, é necessário que outro venda. Neste caso, Álvaro Beleza trocou as suas magníficas convicções por uma quota de 30% de lugares nas listas socialistas de 2015.

É natural que Costa, como sucedeu com Guterres há 23 anos quando lançou uma OPA hostil à liderança de Jorge Sampaio, deseje promover a unidade interna – sem ela será mais difícil vencer eleições nacionais. Esse não é um problema. O que é inquietante é que o faça em nome de um unanimismo plastificado e através de um mercantilismo político selvagem, impróprio de alguém que acaba de ser eleito com o voto de dezenas de milhares de cidadãos que acreditaram que estavam a participar num processo de mudança. De facto participaram num processo de mudança. Esqueceram-se é que nos partidos, mesmo quando tudo muda, tudo acaba por ficar na mesma. 









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