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Um canto directo para o Alexandre
Publicado em: 03 Set, 2014
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Quem me conhece sabe que não me deixo seduzir com facilidade. Há poucas coisas que me apaixonam. O jornalismo. A política (um amor a precisar urgentemente de terapia de casal). O cinema. As biografias. E o futebol, que aprendi a jogar nas ruas no tempo em que estas ainda eram uma espécie de estádios ao ar livre. Como quase todos os homens com pêlos no peito que conheço, também sonhei ser jogador de futebol. O meu ídolo de infância foi Fernando Gomes, um temível avançado cujo cabelo – longo, solto e esvoaçante – invejava secretamente (nunca perdoei ao meu pai a obsessão pela carapinha curta).

À paixão pelo futebol veio outra associada: a dos jornais – desportivos, bem entendido. A Bola, Record, Gazeta dos Desportos (lembram-se?)… Entretanto o tempo passou, as ruas transformaram-se naquilo que são hoje e os meus interesses alargaram (pouco, pouquíssimo) para lá das quatro linhas. Cumpri um sonho de adolescente quando aterrei como jornalista na redacção d’O Independente. Mas ficou por cumprir outro, mais infantil: o de escrever crónicas sobre futebol num jornal desportivo. Até que, já enquanto jornalista de política da Sábado, o Alexandre Pais teve a enorme generosidade de estender a mão ao ceguinho, dando-me a oportunidade de ter um espaço de opinião no site do Record.

Durante muitas semanas, escrevi exactamente o que pensava, sem filtros ou condicionalismos de qualquer espécie. Fui frequentemente excessivo, por vezes injusto, noutras ocasiões simplesmente inconsequente. Mas acima de tudo fui livre. Devo essa liberdade a uma só pessoa: ao Alexandre Pais, que desfez um mito em que eu mesmo acreditava – o de que os jornais desportivos estão reféns de interesses clubísticos, não permitindo pluralismo de opinião. Só por isso merece o meu respeito.

Entretanto ele saiu da direcção do Record. Com o seu abandono, a minha vontade de escrever sobre futebol desapareceu. Terei publicado menos de meia dúzia de crónicas nos últimos 13 meses. Com ele na liderança fazia-o semanalmente. Não é difícil perceber porquê.

Foi, por isso, com grande alegria que hoje de manhã, ao folhear o jornal, dei com o Alexandre na última página, um espaço nobre que nunca devia ter-lhe sido roubado, a assinar o seu “Canto Direto”. Terá sido esta a primeira decisão da nova direcção. Um grande começo, portanto. Aplaudo, naturalmente, a iniciativa. Ganha o jornal, ganha o jornalismo – e, acima de tudo, ganham os leitores, nomeadamente os miúdos que já não jogam nas ruas, mas que ainda adoram futebol e precisam de encontrar nos jornais referências de rigor e qualidade. 

 

alexandre pais

O Canto Direto voltou. E a última página do Record regressou à normalidade entretanto perdida









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