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Marinho Pinto: um homem simples que nunca se engana (A minha crónica no site da Sábado)
Publicado em: 17 Set, 2014
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FACT CHECKER

 

A frase

“Eu defendo que em política devemos dar um novo conteúdo àquela célebre frase de Margaret Thatcher, nos anos 80: “Back to basics”. Voltar às bases da República e do republicanismo.”

O autor

Marinho e Pinto, eurodeputado do MPT, numa entrevista à Rádio Renascença

A análise:

Na entrevista à rádio católica, o auto-denominado esquerdista Marinho e Pinto apresentou-se em grande forma – como aliás sempre acontece quando abre a boca. Durante a conversa, obviamente inebriou os ouvintes com a sua invulgar cultura política e infinita sapiência. Entre outros assuntos extremamente importantes, falou sobre partidos, sobre políticos, sobre salários e, claro, sobre ideias.

A dada altura, certamente para reforçar – como se fosse necessário – o seu particular brilhantismo argumentativo, decidiu impressionar a audiência com uma conhecida citação: “Back to basics”, que atribuiu a Margaret Tatcher. Pequeníssimo problema: desgraçadamente, não foi a ex-primeira-ministra inglesa que a proferiu. É verdade que o seu autor também liderou o governo inglês. E, como Margaret, também é conservador. Mas o seu apelido não é Thatcher; é Major.

Foi no dia 8 de Outubro de 1993 – outro erro de pequena monta do antigo bastonário da Ordem dos Advogados, que apontou a sua utilização para “os anos 80” -, na conferência do Partido Conservador, que John Major, num discurso muito virado para dentro do partido – cujas principais figuras o massacravam frequentemente nos jornais -, quase se ajoelhou em palco, implorando paciência aos companheiros de partido. Queria que o deixassem governar em paz: “And if agreement is impossible, and sometimes on great issues it is difficult, if not impossible, then I believe I have the right, as leader of this party, to hear of that disagreement in private and not on television, in interviews, outside the House of Commons.” Para sossegar os rebeldes, Major prometeu-lhes que estava apostado em resgatar os valores mais básicos do conservadorismo: a defesa da economia de mercado, o respeito pela família e pela autoridade – daí o “back to basics”.

Ao afirmar agora que quer dar um “novo conteúdo” à expressão “de Margaret Thatcher”, não se percebe bem o que quer o iluminado Marinho e Pinto. Pretende acabar com a economia de mercado? Deseja abalar o respeito pela instituição da família? Ou quer reinventar o conceito de autoridade? O que se compreende sem dificuldades é o que o único ser humano que se recorda do momento em que nasceu pretende numa matéria bem menos transcendental: o vil metal. A sua reivindicação é simples: mais dinheiro para pagar aos deputados portugueses. Uma reclamação com a qual concordo, e que seguramente não estará relacionada com o facto de Marinho planear concorrer ao Parlamento nas próximas legislativas. Ou será afinal disso que ele fala quando defende o regresso às coisas mais básicas?

 A sentença

Marinho e Pinto gosta de coisas básicas – desde que lhe permitam viver com pelo menos 10 salários mínimos

PS: a crónica também pode ser lida AQUI

 

marinho









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