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A minha crónica no site da Sábado sobre a noite eleitoral no PS
Publicado em: 26 Mai, 2014
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Estado de choque

21h54, Hotel Altis, sede de campanha do Partido Socialista (PS) nas eleições europeias. Um camarada dirige-se a Álvaro Beleza, um dos dirigentes mais próximos de António José Seguro e da sua liderança.

– Como é que isto está a correr, Álvaro?

O homem que um dia se candidatou à liderança do PS com uma moção em que teorizava  sobre tartarugas ninja franziu a testa e respondeu, enigmático:

– Eh, pá, isto não pode ser como o Real Madrid…

Vinte e quatro horas antes, a equipa de Ronaldo vencera a final da Liga dos Campeões no prolongamento, depois de ter empatado o jogo aos 93’. Uma aflição, portanto. A mesma que naquele instante agitava o espírito de Beleza, mas sobretudo o de António José Seguro, que ontem provou finalmente o veneno da derrota (António, desculpe lá qualquer coisinha, mas para mim perdeu as eleições) num sufrágio em que tinha a obrigação política de vencer folgadamente. Alcançar pouco mais de 30% de votos num país que está de joelhos, que tem a taxa de desemprego e a dívida externa que tem é um feito notável. Em Junho de 2004, Ferro Rodrigues obteve, em condições bem menos pantanosas do que as actuais, 44,5%. O facto de António José Seguro não sonhar sequer em aproximar-se destes valores dá-nos uma ideia próxima do seu alcance enquanto político.

Há cerca de vinte anos, numa célebre noite eleitoral em que Jorge Sampaio sofreu uma derrota desastrosa para Cavaco Silva, António Guterres entrou no Largo do Rato e proferiu uma frase que se tornou mítica: “Estou em estado de choque”, precipitando uma batalha interna pela luta para a liderança, que viria a conquistar. Ontem, quando, pelas 22h, os primeiros resultados oficiais foram conhecidos, o fantasma de António Costa andava no ar. Muitos militantes desejavam vê-lo a expressar o seu “choque”. Ele não lhes fez a vontade. Resta saber durante quanto tempo continuará, sem nada dizer, a ouvir a orquestra a tocar enquanto o barco afunda gloriosamente.

 

 









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