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A minha crónica a partir da China – A Longa Marcha: dia II
Publicado em: 16 Mai, 2014
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A Longa Marcha – dia II

Na década de 50, Frank Sinatra recusava-se a sair à noite com notas usadas no bolso. A hipótese de ser contaminado por um qualquer vírus tirava-lhe o sono. Diariamente, instruía um assistente a deslocar-se a um banco com o objectivo de levantar quantias generosas de dinheiro que o chefe se encarregava depois de gastar alarvemente nos casinos de Las Vegas. Filho de uma bem sucedida empresária do sexo estabelecida em Nova Iorque, o actor e cantor era um personagem estranho e mimado – característica que partilha com a maioria dos génios. À nossa escala, Cristiano Ronaldo será talvez o que mais se lhe compara. Verdade: há, no mínimo, uma voz, dois metros de altura e 150 quilos de abdominais que os separam, mas com uma dose generosa de demagogia é possível colocá-los lado a lado. Vejamos: Sinatra exibia a sua fortuna de forma quase pornográfica; o jogador, dono de uma frota automóvel fortemente lasciva, segue-lhe as pisadas. O cantor apreciava mulheres bonitas (Ava Gardner, Marilyn Monroe…”; Ronaldo passeia Irina pelo mundo nos intervalos em que a manequim não está a tirar a roupa para posar para a Sports Ilustrated. Finalmente, o americano era sempre o centro das atenções; Cristiano também – mais até do que Sinatra, uma vez que é figura de cartaz mesmo quando não está presente. Foi o que aconteceu hoje, quando, numa reunião privada com jornalistas, Cavaco Silva revelou uma conversa que manteve com o presidente do município de Xangai, com quem queria discutir política e economia, mas acabando a falar do jogador do Real Madrid.
Para a China, Cavaco Silva trouxe diplomatas, ex-diplomatas, bons políticos, maus políticos, políticos frustrados, empresários de sucesso, candidatos a empresários de sucesso, jornalistas, ex-jornalistas-entretanto-convertidos-noutras-coisas-quaisquer. Até uma fadista – Kátia Guerreiro, a sua artista-fetiche – teve lugar na comitiva. Ao todo, são mais de 150 pessoas a projectar a imagem de Portugal. Não trouxe o nosso Sinatra caseiro. E Ronaldo, como aconteceu com o cantor no seu tempo, faz falta para animar a festa.









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