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As cartas dos meus leitores – tudo o que é belo é estranho. Merda (isto é belo)
Publicado em: 21 Abr, 2014
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Acho que foi um filósofo da Escola de Frankfurt (Adorno? Horkheimer? Meu Deus, estou tão ridiculamente erudito) que disse que o que é belo é o que é estranho. O que foge ao convencional. Uma pessoa a cair de um arame depois de anos de equilibrismo instável. Uma palmada violenta entre dois amantes românticos. Um palavrão dito por um padre. Uma vaca a passear na cidade. Uma bailarina a dançar na rua ou na redacção de um jornal.

Puxo o assunto a propósito de algumas – não todas, infelizmente – mensagens que os leitores do blogue e das crónicas que escrevo nos sites da Sábado e do Record me vão fazendo chegar. As melhores são as que vêm carregadas de insultos. Sou Um cabrão. Um ignorante. Um canalha. Um cão, um porco e um animal. Não sou uma vaca, mas sou uma bichona. Não sou uma cabra, mas sou uma lástima. Não sou uma puta mas sou um vendido ao grande – e ao pequeno – capital.

Todas as mensagens são, à sua maneira, belas. Belas porque surpreendentes – a imaginação de quem insulta é comparável à de Pessoa quando o absinto lhe batia forte -; belas porque inesperadas; belas porque corajosas; belas, finalmente, porque escondem uma tentação ingénua para flirtar comigo. Vejam lá se é mesmo assim ou se estou completamente enganado:

 

1-a

Esta vem do Bruno, um fantasista iluminado que gosta de pensar em mim como uma espécie de bovino perdido na imensidão do campo, com um bloco de notas na mão e uma luz campestre no olhar. A provar que a imaginação é mais elástica do que a mais incrível das bailarinas, sonha comigo de boca preenchida, a mamar vigorosamente no “Jaquim Oliveirinha”. Tanta elegância comove, caramba.

 

1b

E depois há o Hugo, que se preocupa tanto comigo. De facto tenho medo. Mas ter medo é bom, Huguinho. Porque só tendo medo encontras forças para o superar. Podia explicar-te como funciona o mecanismo fisiológico do medo, mas és tão fofinho que não quero atropelar-te com conversas sobre a relação entre os neurónios e a adrenalina. Pensa só nisto, amigo Hugo: do outro lado do medo está quase sempre uma coisa estranha – acho que lhe chamam liberdade.

1c

Há também o Eduardo, um cabrão de um poeta do insulto que escreve para caraças. E o Telmo. E o António. E o Joaquim. Todos merecem o meu amor. Um dia, meninos, organizo uma quermesse lá em casa e convido-vos a todos. Eu faço os bolinhos e vocês levam as cervejas. Em alternativa podíamos encontrar-nos no meu spot favorito em Lisboa, o café Royale, onde desenharíamos os mais belos pas de deux da história da humanidade. Vamos pensar no assunto, sim?

 









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