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25 de Abril e bananas – Woody Allen explica
Publicado em: 25 Abr, 2014
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banana

 

Estava para aqui a pensar se ia comer quatro bananas ou se escrevia um texto sobre o 25 de Abril. Escolhi as bananas. Ataquei a cozinha com a ganância com que Marlon Brando aviava fãs no fim dos seus espectáculos na Broadway. Queria furiosamente engolir. Bananas. Não estava preparado para o anticlímax que me esperava: a fruta desejada estava imprópria para consumo. Consolação: não é nada que nunca tenha acontecido a Brando. A diferença é que ele tinha sempre mais uma fofinha a bater à porta do camarim. A mim resta-me o 25 de Abril.

salgueiro

 

O 25 de Abril não é como as bananas, que mesmo quando estão podres têm sempre um dono. O 25 de Abril não tem dono, é do povo. Do povo? É? Não, não é. Em Portugal o 25 Abril é de Vasco Lourenço. De Salgueiro Maia. De Otelo. Dos esquerdistas encartados. Do Movimento das Forças Armadas. Dos cantores de intervenção. Dos políticos de ocasião. Quando vejo na televisão o folclore em que se converteram as comemorações deste dia, eu, que não sou militar, que não sou de esquerda, que não sou criminoso (Otelo, desculpa, pá), que detesto cantigas de intervenção e abomino políticos de ocasião,sinto-me tão mais próximo das minhas bananas, mesmo que podres, do que do 25 de Abril. O mesmo 25 de Abril que abriu a porta para que pudesse escrever o que escrevo, com a liberdade com que o faço. Estranho. Woody Allen, que não sabe o que é o 25 de Abril mas que conhece alguma coisa sobre a natureza humana, disse um dia que a vocação de um político de carreira é fazer de cada vocação um problema. Os políticos portugueses engoliram o 25 de Abril com a mesma ganância com que eu engulo bananas ou Brando devorava meninas. E isso é um problema para que ainda ninguém arranjou solução.

 

salazar

 

 

 









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