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Deus abençoe o Mário Crespo
Publicado em: 27 Mar, 2014
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Agora que já esgotei todos os lenços de papel da redacção da Sábado a limpar as lágrimas provocadas pelo discurso de despedida de Mário Crespo, sinto-me em condições emocionais de escrever sobre um assunto que não é só meu – é de todos nós.

Dizer, como já muitos o fizeram nas últimas horas, que Mário Crespo é um baluarte, é profundamente redutor. Se quisermos ser tão rigorosos quanto possível, teremos de reconhecer que ele não é um; é vários baluartes. Explico:

1 – Mário, o baluarte da resistência: é raro em Portugal vermos jornalistas entrarem na reforma ainda em exercício pleno de funções. Ele conseguiu-o e isso só o dignifica.

2 – Mário, o baluarte da liberdade: em várias ocasiões teve oportunidade para provar ser um espírito livre. Aproveitou-as. O que também o dignifica.

3 – Mário, o baluarte da cromice: quantos de nós seriam capazes de fazer a figura que ele decidiu fazer no Parlamento, mostrando uma t-shirt a dizer: “Eu ainda não fui processado pelo José Sócrates”?

4 – Mário, o baluarte da bajulação: ficam para a história as suas entrevistas a Lobo Antunes (vejam uma mais abaixo). Seriam precisos vários camiões para carregar a baba que ele elegantemente engoliu durante as conversas.

5 – Mário, o baluarte da demagogia: a forma como, durante demasiados dias, utilizou o telejornal para fazer propaganda em directo contra a RTP, na sequência da rejeição do seu nome para correspondente da estação em Washington não é para todos. Mas ele não é um qualquer.

Mário Crespo é ainda mais baluartes. Uns mais simpáticos do que outros. Poderia ficar aqui umas horas valentes a escrever sobre todos eles. Desafortunadamente, revi o vídeo de despedida e isso obriga-me a ir comprar mais lenços ao Pingo Doce. Deus abençoe Mário Crespo.

 

 

 

 

 

 









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