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Ronaldo, tens de ser o nosso Sinatra, pá!
Publicado em: 15 Nov, 2013
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Quando dava os seus primeiros passos como artista, Frank Sinatra era um artista sofrível, meio deprimente. Tinha talento, claro, mas não o sabia usar. A sua mãe, uma empresária do sexo – haverá uma forma elegante de dizer chula, caramba?- que operava na zona de Litle Italy, queria para o filho o que todas as mães querem para os seus rebentos: que fosse feliz. E para que isso acontecesse estava disposta a tudo. Mesmo. A dada altura as coisas estavam tramadas para o jovem Frank. Ele bem tentava, mas ninguém o aceitava como vocalista de uma banda. Até que a mãe, de cujo nome não me recordo (e, desculpem lá, também não me apetece procurar agora), decidiu resolver o problema, pagando a uma banda para aceitar o menino.

A potência e qualidade da voz estavam lá; faltava-lhe refinar a técnica; dosear os soundbytes – tornar-se cantor. O percurso foi penoso. Apesar dos concertos sucessivos, a banda estava incapaz de gerar à sua volta a loucura com que sempre sonhou. Até que alguém teve uma ideia genial: e se, em vez de esperarmos que as coisas aconteçam, as fizermos acontecer? Passo seguinte: pagar a pequenas multidões de jovens raparigas para que, nos concertos de Frank, gritassem histericamente e desmaiassem à sua passagem. Parece ridículo, não é? A verdade é que rapidamente Frank Sinatra ficou conhecido em Nova Iorque como o tomba meninas; o homem cuja voz e figura eram suficientes para derrubar o Empire State Building. A partir daí a história é conhecida.

Trago o bom do Sinatra à baila porque já estou em estágio para ver o jogo de hoje da selecção. E quando entro em estágio acontece-me uma coisa rara: pensar. Penso eu, então, que esta selecção é um pouco como o Sinatra dos primeiros tempos: tem muito talento – alguém duvida que Ronaldo, Nani ou João Moutinho ou Pepe são jogadores de nível mundial? – mas pouca capacidade para o expressar. O conjunto não funciona. Se Ronaldo está bem, Nani está mal; se Moutinho aparece, Pepe evapora. Uma desgraça que ainda não sabemos se será ou não fatal para as nossas aspirações.

Sinatra teve a sua mãe para o amparar nos momentos difíceis. A selecção não tem ninguém. O patrão da FIFA, Joseph Blatter, já deixou bem claro que não gosta de Ronaldo. E isso pode ser um problema, tendo em conta que a FIFA é, como várias investigações já o revelaram, uma espécie de sucursal da mafia.

Resta a Portugal um exercício superior de superação. Ronaldo terá dois jogos para se afirmar como o Sinatra desta geração. Estará à altura do desafio?

 

ronaldo

Vamos a isso, Cris?









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