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A minha crónica de hoje no Record
Publicado em: 06 Nov, 2013
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Ontem Jorge Jesus sofreu uma derrota que é quase um atestado de óbito para as ambições da equipa na Liga dos Campeões. Na segunda-feira, numa daquelas crises de falta de lucidez que habitualmente o projectam para a estratosfera, afirmara sem se rir que o Benfica podia sonhar com a final da competição. Como era esperado, a realidade trocou-lhe as voltas: desde ontem o Benfica pode começar a sonhar, sim, mas com o final da competição.

Sejamos sérios: o Benfica jogou pelo menos cem vezes melhor do que o Olympiacos. Tal como tinha jogado dez vezes mais do que o Chelsea na final da Liga Europa e cinco vezes mais do que o Futebol Clube do Porto ao longo da última época. Problema: os jogos não se ganham com hinos à pureza do futebol; vencem-se com golos. E o Benfica não os marca. Não os marcou ontem e não os marcou sempre que deles precisou nas fases cruciais da época passada. E da anterior. E…

 

 

Mas é no desastre que se revelam os génios. E Jesus é mágico na hora de assumir responsabilidades. Não importa se venceu o Benfica ou o adversário: Jota Jota ganha sempre. A flash interview de ontem foi um exercício de grande estilo: interrogado sobre as razões da derrota explicou tranquilamente ao jornalista que o Olympiacos só bateu o Benfica porque tem o Roberto como guarda-redes, um jogador espectacular que ele descobriu e levou para a Luz. O mérito era dele, portanto. E o Benfica perdeu não porque os seus jogadores foram incapazes de, ao longo de 90 minutos, meter uma bola dentro da baliza adversária, mas porque na baliza grega estava um guarda-redes espectacular descoberto por si e que o clube mandou embora contra a sua vontade. Como se a sua opinião não tivesse pesado nessa decisão.

 

 

 

Alguém devia explicar a Jesus que não é possível ganhar sempre. Que experimentar – experimentar a sério, de forma honesta e sentida – o sabor amargo da derrota pode ser importante para prevenir a repetição sucessiva da catástrofe. Porque quem nunca se sente derrotado não procura forças suplementares para se superar. Talvez seja esse o maior problema do Benfica para esta época.









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