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Sobre o Expresso, Francisco Almeida Leite e a sodomia repetida
Publicado em: 30 Out, 2013
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A sério que não queria voltar a falar do assunto. Há tanta porcaria séria a acontecer. O Bárbaragate e a reforma do Estado, por exemplo. E há sempre a possibilidade de escrever um post sobre a pornografia alemã do pós-guerra, tema para o qual estou particularmente habilitado. Mas não: hoje o dia é de Francisco Almeida Leite (FAL). Custa, mas tem de ser.

Breve resumo curricular para quem não o conhece: jornalista, passou por publicações  como o Euronotícias ou o Diário de Notícias, onde diligentemente escreveu centenas de textos sobre o PSD. A sua “obra” jornalística valeu-lhe a amizade de figuras tão respeitáveis como Miguel Relvas ou Pedro Passos Coelho. E como a amizade só é verdadeiramente bela quando se materializa em algo de palpável – leia-se quantificável-, Passos Coelho decidiu nomeá-lo no ano passado para administrador do Instituto Camões. Um cargo para o qual estava obviamente habilitado. É certo que FAL escreveu a vida inteira sobre a tricas do PSD, mas a verdade é que no limite tudo é cultura – pelo menos no estranho universo em que Passos Coelho e sus muchachos se movimentam.

Ainda o país não se tinha refeito da nomeação para o Camões quando Passos Coelho voltou a abrir-lhe os braços, entregando-lhe a secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros em Abril passado. Na altura escrevi aqui, entre outras banalidades, que me encontrava a experimentar a dor do enrabanço político. A dor do enrabanço político. Um exagero, como é habitual em mim. Também escrevi que o que FAL consideraria “um tributo notável a uma carreira jornalística ainda mais notável na defesa dos mais elevados valores da independência jornalística” poderia, com algum azar à mistura, transformar-se num pequeno pesadelo. O que acabou por suceder, uma vez que três meses depois foi parar à rua. FAL provara o veneno da política.

Na semana em que FAL foi expulso do governo joguei no Euromilhões. Achava que os meus notórios dotes adivinhatórios me trariam beleza e fortuna. Não acertei nenhum número. Assim como não acertei na sentença que diligentemente avancei. A verdade é que a novela FAL ainda não chegara ao fim. Violentamente possuído por uma praga de Omerta – uma expressão muito utilizada em Itália para designar a amizade entre pessoas extraordinárias – Passos não desistiu de carregar o amigo ao colo. O passo seguinte foi, de acordo com o jornal Expresso, propô-lo para outro posto para o qual está notoriamente habilitado: a presidência da Sofid, uma espécie de banco de fomento estatal. Uma vez mais, faz sentido. As transacções financeiras hoje em dia não têm fronteiras. FAL viajou muito enquanto secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. E os seus artigos no DN eram de um cosmopolitismo contagiante.

 

 

 

Injustamente, o CRESAP, organismo que tem como função analisar os currículos de todos os dirigentes propostos para a função pública, terá rejeitado o seu nome para a presidência. A acreditar no Expresso, os mauzões do CRESAP concluíram que FAL tinha, digamos, algumas limitações na área financeira. A avaliar pelo seu currículo não consigo perceber porquê. Disseram ainda os malandros do CRESAP que FAL só poderia actuar na área das Relações Públicas e no sector internacional. Nada de massa na mão do rapaz.

O Expresso deu a notícia no último sábado. Francisco Almeida Leite desmentiu a sua veracidade. Vamos lá ver o que o Expresso diz no próximo sábado. Por mim os dados estão lançados: sugiro Francisco Almeida Leite como candidato à Presidência da República em 2016. Pelo PCP. Tem tudo a ver, não é?

 

PS: devo dizer, em nome da honestidade, que FAL terá sido, a acreditar nas minhas fontes, um muito razoável secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. Nada nos diz, portanto, que não possa dar um óptimo administrador da Sofid ou um inesquecível Presidente da República









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