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A minha crónica no Record: O momento Rocky Balboa de Jorge Jesus
Publicado em: 23 Set, 2013
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O momento Rocky Balboa de Jorge Jesus

Na inesquecível saga “Rocky”, o protagonista, um lutador de boxe interpretado pelo robusto Sylvester Stallone, apaixona-se por Adrian, uma jovem ingénua que apesar de se sentir visivelmente atraída pelas curvas sinuosas do pretendente, desconfia do seu aspecto duro e levemente decadente. Para a fazer acreditar que a musculatura  desenvolta escondia um homem sensível e dedicado, Balboa leva-a a passear. E para a impressionar solta uma tirada de antologia: “O meu pai disse-me um dia que eu não tinha nascido com muito cérebro, por isso era melhor começar a usar o meu corpo.” Knock out: as palavras marcaram o arranque de um tórrido romance – e inauguraram toda uma nova escola do engate, em que a ditadura do neurónio foi alegremente substituída pelo determinismo musculado do bícep.

Ontem, ao observar a impressionante destreza com que Jorge Jesus defendeu um dos muitos adeptos do Benfica que decidiram invadir o campo do Vitória de Guimarães, recordei-me deste diálogo. E dei por mim novamente afundado na cadeira do velho Cinema Alvalade a vibrar com a história épica de um lutador esforçado que compensava a falta de técnica com a potência dos seus golpes cruzados. A fúria com que Jorge Jesus se atirou aos agentes da autoridade em Guimarães é comparável à energia com que, durante 14 assaltos,  Rocky Balboa resistiu à tareia que foi imposta por Apollo Creed, o campeão mundial invicto. Só ao 15º e último round Balboa acordou para a vida e encostou o adversário às cordas, conquistando, com a sua valentia mórbida, o apoio esmagador da multidão que assistia ao combate.

 

 

Pois bem, ontem foi o 15º assalto para Jorge Jesus. Desde que, na última época, perdeu tudo o que havia para perder, o treinador do Benfica ainda não se levantou. A porrada foi violenta: levou dos adeptos; levou de parte da administração da SAD; levou dos jornais; até Óscar Cardozo o acarinhou. E começou esta época da mesma forma que terminou a anterior: a apanhar. As exibições sofríveis da equipa não têm ajudado. Jesus precisava de um momento “Rocky Balboa” para reconquistar as massas. Ontem, com a sua portentosa demonstração de força perante os algozes que, obviamente de forma injusta, maltratavam um benfiquista, provavelmente assegurou alguns cânticos com o seu nome já no próximo jogo no Estádio da Luz. Resta agora saber se o músculo que Jesus revelou ontem será suficiente para o segurar de forma duradoura no comando da equipa ou se servirá apenas para lhe revelar uma realidade que, ao que se sabe, ainda desconhece: as instalações da PSP, onde terá a oportunidade de partilhar com as autoridades os segredos da sua notória agilidade.

 

PS: já me esquecia: apesar da sua notória galhardia, Rocky acabou de nariz partido. E perdeu o combate. De facto, uma desgraça nunca vem só.

 

 









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