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A minha crónica de hoje no Record
Publicado em: 22 Ago, 2013
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Meu caro Jorge,

Da última vez que te escrevi disse-te que acreditava que a desgraça que te aconteceu na final da Liga Europa não devia – não podia – marcar o fim dos teus sonhos. Disse-te também que acreditava que um homem que suportou o que tu suportaste – os pelados inacreditáveis em que durante demasiados anos jogaste e treinaste antes de chegares ao Benfica; as descidas dolorosas de divisão; as subidas épicas de escalão com equipas menores – tinha de ter mais histórias para contar depois de uma época em que chegou a cheirar os calcanhares do paraíso e acabou ajoelhado num relvado a tentar perceber como escapar das chamas da inevitável paródia triste que sabia que se seguiria.

Sei que foi duro. Mas os duros, como tu dizes ser, normalmente levantam-se. E tu continuas de joelhos. Ainda não te ergueste, Jorge. Vi-te no último domingo, na conferência de imprensa depois do jogo com o Marítimo. Lembraste-me a figura de um gladiador romano acabado de ser humilhado na arena. Sabes o que acontecia aos gladiadores derrotados na Roma Antiga? Eram forçados a olhar para o camarote do presidente dos jogos e este, depois de ouvir a reacção do público presente, fazia uma de duas coisas: ou levantava o polegar e salvava o lutador, ou fechava a mão e, bom, sabes o que acontecia.

Neste momento, o público não está propriamente do teu lado, Jorge. Estás estendido na arena, desgastado por derrotas sucessivas. Luís Filipe Vieira tem sido clemente; indiferente ao clamor das massas. Mas, a continuares assim, prostrado, de joelhos, chegará o dia em que o polegar deixará de subir, colocando um ponto final numa história que não merecia acabar assim.

 

 









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