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Toda a verdade sobre Paulo Portas e sobre a incapacidade do líder do CDS para aguentar uma coligação, por Vítor Matos
Publicado em: 04 Jul, 2013
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O líder do

PSD recusa. A discussão é interrompida entre as seis e as seis e meia

da tarde, e telefonam para os respetivos Estados-maiores. Marcelo

marca um jantar com a Comissão Permanente num restaurante de

Algés para dali a poucas horas.75

Para complicar o cenário, Marques Mendes viaja com toda a

pressa de Fafe para chegar a horas de jantar. Ele já tinha manifestado

a Marcelo Rebelo de Sousa a vontade de passar uns anos fora, e

era este o momento de se assumir como candidato ao Parlamento

Europeu.76 No jantar estão presentes Torres Pereira, Leonor Beleza,

Ferreira do Amaral, Manuela Ferreira Leite, Horta e Costa e José

Miguel Júdice. Joaquim Ferreira do Amaral era sempre o que levantava

mais dúvidas em relação a Portas, e havia de se discutir se o

parceiro não estaria a procurar abrigar-se do caso Moderna através

da imunidade do Parlamento Europeu, porque já não estava na Assembleia

da República.

Com Marques Mendes no rol de candidatos, Marcelo tem cartas

a mais na mão para lhes dar uma ordem coerente. Perder Marques

Mendes na frente nacional ia ser um rombo para a guerra das legislativas

de outubro e, além disso, o líder parlamentar não tinha perfil

para as questões internacionais. Marcelo não compreende aquela

teimosia. Segundo o Expresso, Mendes fazia questão de ser o número

dois à frente de Paulo Portas, mas hoje Marques Mendes diz que

«essa questão nunca se colocou».77 Depois do jantar, por volta da

meia noite, os dois líderes da AD voltam a encontrar-se. Tudo parece

mais complicado que ao início da tarde.

Leonor sai do restaurante de Algés muito hesitante. «Não tinha

vontade de ir para fora de Portugal, nem qualquer fascínio pelo Parlamento

Europeu» – conta Leonor Beleza – «mas o Marcelo insistiu

que tinha mesmo de ser eu.»78 Demora três horas, pela madrugada,

a deixar convencer-se e a falar com a família. Marcelo só volta a casa

pelas cinco da manhã e continua ao telefone consecutivamente com

Mendes e Portas.

O líder do CDS indigna-se com o facto de ter à sua frente na lista

duas figuras do PSD. Ele é presidente de um partido, eles não. A comissão

permanente do PSD tem isso fechado, explica-lhe Marcelo.

A tensão entre os dois partidos cresce e começa aqui a tender para a

rutura.79 A discussão dura toda essa noite «tempestuosa», como Marcelo

a classifica. «Como é que o líder do segundo partido vai atrás de

quem quer que seja a não ser o líder do primeiro partido», argumenta

Paulo Portas.80 Sempre em contacto telefónico com o líder popular,

Luís Nobre Guedes consegue convencê-lo de que mais vale um terceiro

lugar do que nada, porque Marcelo tinha muitas dificuldades em

vendê-lo ao PSD, era preciso compreender isso, e ir sozinho a votos

naquela circunstância era um grande risco. As listas chegam a estar

em perigo por ele não querer abdicar da segunda posição. À beira do

limite, mas muito violentado, o ex-diretor de O Independente aceita.

Paulo Portas dá o sim, mas ainda não há uma resposta definitiva de

Leonor Beleza. Marcelo faz então uma jogada de mestre. Não é ele que

liga a Beleza, é Portas. E deixa que seja Portas a informá-la que vai em

terceiro lugar, para que ela pense que a iniciativa é dele. A altas horas,

o líder popular telefona à vice-presidente do PSD e encontram-se os

dois algures em Lisboa, em plena madrugada de inverno, antes de o sol

nascer. Portas estaciona e passa para o carro de Beleza: ela ao volante,

à esquerda, e ele sentado à direita, no banco do pendura. A circunstância

era complicada.81 Uma coisa era Leonor Beleza defender Marcelo

numa coligação com o homem que lhe tinha desgraçado a reputação,

outra era entrar com ele na mesma lista e ter de fazer campanha a seu

lado. A própria situação de estarem de madrugada fechados num carro

é inverosímil. «Foi durante essa conversa que Paulo Portas me disse

que eu ia em primeiro, Marques Mendes em segundo e ele em terceiro»,

recorda Leonor Beleza, que ignorava como tinham sido as discussões

entre Marcelo e Portas durante a noite.82 Para todos os efeitos, o Expresso









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