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Toda a verdade sobre Paulo Portas e sobre a incapacidade do líder do CDS para aguentar uma coligação, por Vítor Matos
Publicado em: 04 Jul, 2013
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Enquanto são

emitidas as imagens de Portas a responder a Margarida Marante no

programa Esta Semana, da SIC, na noite de 25 de março de 1999,

alguém narra a Rebelo de Sousa o que Portas diz. Provavelmente é

Rita Amaral Cabral, ao telefone, que reproduz a entrevista: Portas

está a dizer que propõe uma cimeira de clarificação para ver se o PSD

ainda tinha vontade e confiança para fazer a coligação… Agora ataca

sem piedade, diz que no domingo depois do comício de Viseu,

Marcelo Rebelo de Sousa lhe disse que a maioria da comissão permanente

do PSD considera que ele não era uma pessoa de bem nem

uma pessoa honrada… E que Leonor Beleza até tinha insistido para

não fazer campanha ao lado dele… E também diz que a comissão

diretiva do PP colocou a rutura em cima da mesa… e agora revela

que a maioria da direção do PSD era a favor do fim da coligação…

Ele pede e exige ao PSD a lealdade que ele próprio deu… Diz que o

PSD quer evacuá-lo… Se o PSD duvida e hesita, então cada um segue

o seu caminho… O PSD que diga se confia ou não no líder do PP….

Era a segunda vez na vida que Paulo Portas tramava Rebelo de

Sousa na televisão. Desta vez o caso seria mais definitivo e grave que

o da vichyssoise.

Ao saber disto, Marcelo congela. «O PSD deve estar por esta altura

aos urros, completamente ululante…», pensa. Não lhe tendo

explicado à tarde ao telefone o que era a «clarificação», o líder do

PSD sente-se traído. «Era contar aquilo que ele interpretava como

sendo a conversa que tínhamos tido. Tornava impossível a confiança

recíproca entre as duas direções, entre os dois partidos e os dois líderes

», diz Marcelo.107

Estava encurralado. A estocada de Portas tinha sido mortal. «Mas

vamos imaginar que eu lhe disse, sem nomear pessoas, que havia

gente que tinha dúvidas sobre como ia acabar o caso da Moderna e

se aquilo não ia atingir a honra dele. É uma conversa privada, que

tenho com base de uma reserva, no pressuposto de que o estou a

ajudar, a puxar por ele e ele sabe disso. Sem me dizer que vai dizer

isso, afirma-o publicamente.» Se Portas lhe tivesse comunicado o que

ia revelar da conversa, Marcelo tentava travá-lo. «É para matar a

coligação porque a partir daquele momento eu fico sem espaço para

intervir na direção política do partido.»108 Se o espaço de Marcelo

no PSD já era reduzido para defender Portas, agora era impossível.

A intriga tinha atingido níveis insustentáveis. Se no PP se dizia que

Marcelo conspirava para derrubar Portas, no PSD circulava a teoria

– havia-as para todos os gostos – de que havia um pacto entre Jorge

Coelho e Paulo Portas para o preservar e não o atacar, no pressuposto

de a coligação acabar. Anos depois, numa sessão do julgamento

do caso em Monsanto, o vice-reitor da Moderna António de Sousa

Lara contará uma conversa com Nuno Gonçalves, ex-chefe de gabinete

de Portas: este ter-lhe-á dito, em plena convulsão noticiosa sobre

o caso, que «o Governo socialista tinha elementos muito comprometedores









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