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Toda a verdade sobre Paulo Portas e sobre a incapacidade do líder do CDS para aguentar uma coligação, por Vítor Matos
Publicado em: 04 Jul, 2013
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Na sua biografia de Marcelo Rebelo de Sousa, Vítor Matos tem um capítulo que diz tudo sobre a postura de Portas em ambiente de coligação. A tese é que Paulo não pode ficar em “estado de necessidade”. Leiam, vale mesmo a pena.

Um Jaguar verde assusta os sociais-democratas

Na mesma semana de janeiro de 1999 em que foi criado o Bloco

de Esquerda – e que havia de mudar a relação de forças parlamentares

– Marcelo e Portas realizaram a primeira iniciativa conjunta como

líderes da AD: uma visita ao Hospital de Setúbal, combinada em

segredo para ter mais impacto. O líder do PSD nem avisou a comissão

política, mas havia gente sensível. António Capucho, o secretário-

-geral, sentir-se-ia tão posto de parte que na reunião da Comissão

Permanente seguinte chega a pensar assumir uma rutura. Também

prefere fazer uma surpresa: no sábado seguinte, o Expresso noticia

que a «rutura de relações» esteve por um fio, porque Capucho se

sentia «ignorado» no processo de constituição da AD e que a gota

de água tinha sido a visita ao hospital. Já não era o primeiro desentendimento,

mas fora o último. Capucho já tinha sido desautorizado

por Marcelo e desmentido várias vezes em público. Também já tinha

feito declarações pouco sensatas: «Cabeças de lista do Partido Popular,

só por cima do meu cadáver.»66

(…)

Na frente da Aliança Democrática, os dois líderes confirmam o entendimento

partidário, mas Paulo Portas desconfiará sempre daquela

assinatura. Era sinal de que não confiavam mesmo um no outro. No

dia 22 de janeiro de 1999, o CDS e o PSD assinam dois acordos de

coligação: um público, rubricado diante dos jornalistas no Hotel Sheraton,

com as grandes linhas da aliança, e um anexo secreto, com a

mercearia eleitoral e a distribuição dos deputados pelos distritos – assinado

longe de olhos indiscretos na suíte alugada pelos partidos. Estavam

presentes os dois líderes, Torres Pereira e Horta e Costa pelo PSD, e João

Rebelo, Nobre Guedes e Manuel Queiró pelo CDS. O critério tentava

garantir 16 deputados as CDS em vez dos 15 de 1995, aplicando o

método de Hondt. O hipotético 16.º deputado seria mais fácil de conquistar

em Coimbra, por onde deveria concorrer o centrista Manuel

Queiró. Ao longo dos anos, Paulo Portas fará saber em jeito de piada,

que a rúbrica de Marcelo Rebelo de Sousa que constava no anexo não

condizia com a assinatura do documento da constituição da aliança.

Era inventada. Ou Portas delirava ou Marcelo brincava, mas o ex-jornalista

achava que sabia identificar a letra do seu velho conhecido.

O acordo oferecia um deputado ao CDS, mas os ganhos das listas

conjuntas podiam ser superiores, de acordo com um estudo publicado

no Expresso no fim de janeiro de 2009. Mesmo que os dois partidos

não aumentassem de votos nas legislativas, ganhavam desde

logo mais quatro deputados à custa do PS, segundo os cálculos do

método de Hondt: em Braga, Coimbra, Viana do Castelo e Setúbal.

Nessa simulação, o PS ficava apenas com um deputado de vantagem:

108, contra 107 da Alternativa Democrática.68 Era um cenário interessante. No entanto, as sondagens não eram favoráveis: davam 41%

para o PS e apenas 31% para a fresquíssima AD.

(…)

Marcelo sabia que, para anular o efeito Soares, não tinha muito

mais de 24 horas. Marca uma reunião na sua casa com Paulo Portas

para esse domingo, às três horas. Conversam até às oito da noite.

Marcelo propõe Leonor Beleza. Portas faz uma contraproposta, segundo

escreve o Expresso: Marcelo candidata-se em primeiro lugar,

ele próprio vai em segundo e Leonor Beleza em terceiro.









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