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O combate ente Marinho Pinto e Isabel Moreira na íntegra
Publicado em: 15 Jun, 2013
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MP: Mas o pai é só um. Eu não tenho o direito de, se gostar de si, lhe dar algo que é só meu, que é a paternidade.

E não é sensível ao argumento da segurança da criança?

MP: Basta uma alteração ao artigo 1986º do Código Civil, dizendo que o cônjuge sobrevivo ficará com a tutela da criança até à regulação do poder paternal. O juiz depois decide em função dos interesses da criança.

IM: Está a reconhecer retroactivamente a sua condição de pai…

MP: … ó drª Isabel Moreira, não fique nervosa. Sei que fica nervosa com os meus argumentos mas deixe-me acabar. O superior interesse da criança não é uma fórmula oca, vazia. É aquilo que a criança escolheria se o pudesse fazer. E se a uma criança de uma instituição lhe derem a escolher entre uma família homossexual e outra heterossexual o que escolheria? Estamos todos a falar mas todos tivemos pai e mãe.

IM: As representações não derivam de uma lógica de fundamentação naturista. Não há uma família, mas várias famílias. As crianças criam representações que têm a ver com laços afectivos e psíquicos de quem as protege e de quem cuida delas. Por isso é que esta forma de exercício de parentalidade pode ser diferente.

Mas considera ou não que o tipo de relação que a criança estabelece com uma mãe é diferente do que um pai?

IM: Eu fui estudar. E de facto as crianças que nascem numa família homoparental ou heterossexual precisam de afectos, de preferência positivos. Depois a família inclui uma dinâmica em que através de primos, avós, etc. reconhece as figuras masculinas e femininas.

MP: Vocês é só autoridades que invocam. É a drª Manuela Eanes, é o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem…

IM: …eu ainda não acabei de falar…

MP: …parece que não pensam pela própria cabeça.

IM: Se o IAC, que trabalha com crianças há 30 anos, fosse desfavorável ao projecto, era-lhe indiferente?

MP: Ouviu-me a invocar alguma vez alguém em reforço das minhas convicções? Por amor de Deus!

IM: Isto não é uma questão de opinião, é uma questão de ciência. O que é injusto é uma criança ter para si um pai e dizerem-lhe: ‘desculpa, esse pai não presta.’

MP: Imagine isto: um casal homossexual coadopta. Depois separam-se. Fica o co-adoptante afastado de quem adoptou e vai ficar para o resto da vida como co-adoptante. Se o adoptante original decidir casar de novo, cria-se novamente a situação original. Ou seja: a situação que eles invocaram para alterar a lei reconstitui-se a seguir ao divórcio. E a lei não tem resposta para isso. Fica uma pessoa que está fora da família com os direitos de paternidade. A não ser que eles queiram dar três pais. Quem dá dois, dá três ou quatro.

IM: Por amor de Deus!

MP: Não é por amor de Deus, drª Isabel Moreira! Quem dá dois pais também dá três. O meu pai é meu pai toda a vida e a minha mãe é minha mãe é minha mãe toda a vida.

IM: Isso é retórica!

MP: Ó drª Isabel Moreira…

IM: Já me acusou várias vezes de retórica, eu é a primeira vez que o faço.

MP: Porque eu estava certo (risos).

IM: Isso é que é soberba.

MP: Deixe-me dizer mais isto: os defensores desta causa invocam todas as autoridades do mundo e agora a grande heroína é a drª Manuela Eanes. Eu quero dizer aqui, e peço-lhe que escreva isto: ou a drª Manuela Eanes está a mentir agora ou andou a mentir nos 30 anos anteriores.

Porquê? Alguma vez a ouviu falar em sentido contrário?

MP: Porque penso isto. Ninguém a ouviu falar e ouço muita gente a falar em nome dela. A drª Manuela Eanes não é para mim exemplo de nada, como também não é o marido, como não é ninguém.

Mas o IAC é uma instituição idónea, ou não?

MP: Já ouviu a drª Manuela Eanes falar?

IM: Já.

MP: Eu não. Isto é como os pareceres. Eu dou-lhe opiniões de dezenas de instituições opostas à dela.

Dê-me o nome de uma.

Aquela de que faço parte da direcção, a comunidade Juvenil de São Francisco de Assis.

Já se mostrou publicamente contrária à co-adopção?









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