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O combate ente Marinho Pinto e Isabel Moreira na íntegra
Publicado em: 15 Jun, 2013
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Portanto, não é contra o facto de uma criança viver com um casal homossexual, o que o preocupa é a questão formal, certo?

Mp: Se a criança for filha de um deles, não vejo problema.

E se for adoptada?

MP: Isso não. A adopção é para ser feita por um homem e uma mulher. A co-adopção é um pequeno passo. O que eles querem é a adopção. O que o movimento dos gays, das lésbicas e dos transsexuais (LGBT) quer é a adopção plena. A criança deve ter um pai e uma mãe!

Isabel Moreira, Marinho Pinto defende também que há uma afectividade do género, que há uma afectividade própria do pai e da mãe e que isso é importante. Concorda?

IM: Estas questões não podem ser só fundadas em opiniões. Estes temas estão estudados. E há muito tempo que a comunidade académica fala em afectos positivos e negativos e não em afectos maternos e paternos. Mas voltando à questão, penso que o senhor Bastonário coloca um pouco de fumo à volta deste projecto. Este projecto não retira pais a crianças. Trata-se de crianças que já vivem desde que nasceram em famílias homoparentais. Ou seja, em famílias com dois pais ou duas mães.  É preciso ver que um homossexual singular já pode adoptar. Estas crianças vivem em famílias de facto em que na perspectiva das crianças as figuras que representam a parentalidade que pode ser biológica mas também tem muito a ver com outros laços que se criam; para a criança aquelas são as figuras parentais. O que o projecto pretende é que estas crianças, tal como acontece com outras que vivem com um pai biológico e uma mãe não biológica mas que para a criança é a sua mãe, é que também tenha o mesmo regime para que esteja segura.

É a questão da continuidade dos afectos.

IM: Com certeza. Estas famílias homoparentais são estudadas há mais de duas décadas pelas principais instituições dedicadas à psiquiatria, à psicanálise e à pediatria, sobretudo nos Estados Unidos.

MP: Sempre houve filhos sem pai. Somos um país de marinheiros. O que eu estou contra é a destruição da representação que o filho faz do seu pai. Eu vivi grande parte da minha infância e adolescência sem o meu pai.

É completamente insensível ao argumento da ciência? Existem estudos da American Psicological Association, da Amerinac Academy of Pediatriacs, da American Psyquiatric Association, que vão todos no mesmo sentido.

MP: Eu sou advogado há quase 30 anos. Há pareceres para todos os gostos. São muitos mais os pareceres contra do que a favor.

IM: Não é verdade. Há um consenso na comunidade científica.

MP: Para já não conheço esses pareceres. Toda a gente os invoca…

Estão online. Nunca se preocupou em lê-los?

MP: Mas tem muitos pareceres. Se for à internet encontra para todos os gostos.

Mas já viu algum de uma entidade idónea em sentido contrário aos que cita Isabel Moreira?

MP: Há vários.

Quais são?

MP: Assim de cor não lhe posso dizer. Eu não sou militante desta causa…

IM: Há um consenso da comunidade científica!

MP: Não há consenso nenhum. Isso é o que vocês alegam. Vocês vêm de repente cheios de autoridades científicas…

Não lhe parece que enfraquece a sua posição ao dizer que esta evidência científica é inválida e não contrapondo com evidência científica em sentido contrário?

MP: Mas que evidência científica? Eu não sou psicólogo nem cientista. Sou simplesmente um cidadão que acha que uma criança que perdeu o pai ou a mãe não deve ter duas mães ou dois pais. Posso estar errado, não sou militante como a drª Isabel Moreira. A militância leva-nos ao fanatismo. Sou só preocupado com as crianças. E todos falam das crianças mas em benefício próprio.

Ao avançar com este projecto, Isabel Moreira está a pensar nela?

MP: Está a pensar no movimento LGBT…

IM (irritada)… ó senhor bastonário…

MP: Deixe-me concluir. Durante milhares de milhões de anos a evolução da vida passou por separar as espécies em dois géneros.

Não é sensível ao argumento de que as sociedades evoluíram e com elas o conceito de família tradicional?

MP: Estamos a falar de uma ordem que é anterior ao conceito de sociedade. O primeiro impulso que um ser humano tem quando nasce é procurar a mãe que tem o alimento no corpo dela. Não é um pai, não procura o peito de um homem, procura o de uma mulher por instinto. Por isso não me venham com pareceres.









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