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Adaptações criativas no cinema
Publicado em: 10 Jun, 2013
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É um lugar comum dizer-se que os filmes, quando resultam da adaptação de um livro, ficam muito aquém das obras literárias que lhes servem de referência. A realidade tem-se encarregado de provar que nem sempre o imediatismo na análise é bom conselheiro. Exemplo? “O Padrinho”, de Francis Ford Coppola, inspirado na obra de Mário Puzzo. Outro? “E tudo o Vento Levou”, de Victor Fleming, com Clark Gable e Vivien Leigh. E há mais, muito mais. Mas não é bem disso que este post trata.

Há três categorias de adaptações: as más (que basicamente rebentam com a obra original), as boas (que são capazes de transformar um livro miserável numa obra de arte cinematográfica) e as criativas (que, fazendo uma interpretação larga da obra original, se tornam em peças artísticas autónomas). Um artigo publicado na Atlantic fala sobre o filme que recentemente venceu a Palma de Ouro em Cannes. “La Vie d’Adele” narra a história de duas adolescentes que se apaixonam perdidamente (é possível apaixonarmo-nos sem que seja perdidamente?). Provocaram escândalo as cenas de sexo quase explícito. Justin Chang, crítico da Variety, considerou que algumas imagens nos transportam para um “deeper level of intimacy”. Bem bom.

Problema: Julie Maroh, lésbica e autora do livro de referência, fez publicar um texto em que afirma que o realizador Abdellatif Kechiche foi muito além do que ela própria escreveu, nomeadamente no que respeita às cenas de sexo, que ela considera ridículas e pouco credíveis. O facto de as actrizes serem heterossexuais não terá sido grande ajuda. Em sua defesa, Kechiche afirma que queria que as cenas de enrolanço fossem filmadas como se fossem quadros ou esculturas. Ainda não vi o filme, mas o trailer é promissor. Ora vejam:

 

 









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