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A minha crónica de hoje no Record
Publicado em: 20 Jun, 2013
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José Estaline tinha um ritual macabro para poder dormir descansado: diariamente identificava os seus inimigos, dedicava-se demoradamente a imaginar planos engenhosos para se vingar deles e, depois, fazia com que se concretizassem com violência. Uma das vítimas mais conhecidas do ditador russo foi o dissidente Leon Trótski, a quem nem uma fuga desesperada para os calores do México valeu para evitar o golpe de picareta na cabeça que lhe custaria a vida.

Mourinho, apesar de se chamar José, não é Estaline. Falta-lhe a veia sanguinária. E o bigode janota, já agora. A única característica que ambos partilham é a sua prodigiosa dedicação a acabar com inimigos e adversários. Estaline mandava matá-los com picaretas; Mourinho fuzila-os com palavras. Foi assim com Sabry (recordam-se da conferência de imprensa em que o acusou de demorar 8 minutos a apertar as botas?); foi assim com Ricardo Carvalho (lembram-se do episódio em que, enquanto treinador do Chelsea, colocou em causa a inteligência do jogador?); foi assim com a imprensa italiana; assim foi com a imprensa espanhola e com os jogadores madridistas Pepe, Casillas e, mais recentemente, Cristiano Ronaldo. Vingança.

 

 

 

Será, por isso, excitante acompanhar a próxima liga inglesa de futebol. De um lado, José Mourinho; do outro André Villas-Boas, o prodígio que um dia teve a coragem de dizer à equipa de Mourinho que no futuro seria melhor que todos eles. Uma violência que Mourinho nunca lhe perdoou – essa e o facto de se ter afirmado publicamente um fã de Guardiola e do seu futebol, em detrimento do de Mourinho.

 

 

Villas-Boas é uma ameaça objectiva ao lugar de Mourinho na História do futebol português. Com a idade do agora treinador do Tottenham (35 anos), Mourinho não tinha sequer um título – na verdade ainda não era treinador principal (começou no Benfica aos 37 anos). Villas-Boas já foi campeão no Futebol Clube do Porto, ganhou uma Liga Europa e acaba de conseguir a melhor pontuação da História do Tottenham na liga inglesa.

Cada duelo entre as suas equipas será, por todos estes motivos, sempre encarado como um violento ajuste de contas com o passado: Villas-Boas a vingar-se por Mourinho ter, há muitos anos, recusado “promovê-lo” na estrutura do Chelsea e o “Special One” a provar a Villas-Boas que é demasiado pequeno para sequer sonhar em roubar-lhe o seu enormíssimo lugar na História.

 

 









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