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O meu artigo desta semana no Record – o fracasso de Mourinho em quatro verdades inconvenientes
Publicado em: 09 Mai, 2013
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1 – Mourinho mente

Na realidade, todos mentimos. Segundo um estudo da autoria de Robert Feldman, professor de psicologia da Universidade de Massachusetts, uma pessoa conta três mentiras a cada dez minutos. Há dois tipos de mentiras – as boas e as más. Uma amiga que não foi especialmente abençoada com a virtude da beleza pergunta: “Sou bonita?” Se a resposta for “és extraordinária” estamos perante uma mentira boa, aquela que, segundo os psicólogos, é fundamental para que aprofundemos as nossas relações sociais. A mentira má acontece quando há uma intenção oculta de prejudicar alguém. Exemplo: esta semana Mourinho, numa conferência de imprensa verdadeiramente genial, decidiu humilhar Pepe, dizendo que o jogador português foi, aos 31 anos, “atropelado” por Varane, um miúdo de 19 anos. Ora, Pepe tem 29 anos – está abaixo da fronteira psicológica dos 30, idade a partir da qual um jogador é visto como veterano. Mourinho poderia tê-lo dito por puro desconhecimento. Por ingenuidade. Por falta de memória. Problema: o treinador do Real Madrid tem muitos defeitos mas entre eles não estão nem a ignorância, nem a ingenuidade – muito menos a ausência de memória. Fê-lo porque não suportou que Pepe, um português como ele, o confrontasse com a sua dura realidade: no universo do Real Madrid, ele é uma formiga e Iker Casillas, o seu arqui-rival, é um gigante. Ele perdeu; Casillas ganhou. E isso leva-nos à segunda verdade…

 

 

2 – Mourinho não sabe conviver com o fracasso

O Real Madrid contratou Mourinho com um objectivo: ganhar a 10ª Liga dos Campeões da sua história. Passadas três épocas, nada. Sim, é verdade que a hegemonia do Barcelona foi parcialmente quebrada. Sim, é verdade que há um mérito indiscutível de Mourinho nesse feito. Mas nada apaga os três fracassos sucessivos na Liga dos Campeões. Na já célebre conferência de imprensa, o treinador português ainda tentou apresentar como um êxito a presença em três semi-finais. Esquece-se – afinal tem mesmo um problema de memória – que quando chegou a Espanha declarou imediatamente que o seu objectivo era ser o primeiro treinador a conquistar ligas dos campeões em três países diferentes. Uma ambição gigante, proporcional à dimensão do seu ego – e à do seu fracasso, também. Um jogador inglês disse um dia que há muitas maneiras de ser um vencedor, mas só uma de ser um perdedor: é falhar e não ver além do desastre. E isso leva-nos à terceira verdade…

 

 

3 – Mourinho tem vistas curtas

Não é preciso ser um génio para perceber que o tremendo sucesso – merecido, há que sublinhá-lo – da carreira de Mourinho lhe subiu à cabeça. Vê-se nas suas atitudes, na forma como despreza quem não lhe presta vassalagem e como crucifica quem decide ter opinião própria. Mas o que os acontecimentos dos últimos dias provaram um evento estranho: também o fracasso lhe subiu à cabeça. Uma desgraça que claramente lhe perturbou o raciocínio. Um homem inteligente como ele não provoca uma ruptura tão profunda com os seus jogadores. Um homem inteligente como ele não se contradiz de forma tão evidente como ele o fez – chega a ser constrangedor ver o vídeo em que o treinador português afirma, lado a lado com Casillas, que estava perante o melhor guarda-redes mundial. Mais: que o agora renegado merecia ganhar uma Bola de Ouro. Não foi há 10 anos – aconteceu há apenas um. E isso leva-nos à quarta verdade…









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