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A minha crónica de hoje no Record: Aimar – o fim de uma grande ilusão
Publicado em: 30 Mai, 2013
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O problema das ilusões é conhecido: quanto maiores são, quanto mais gordas se tornam, mais difíceis são de alimentar. Durante cinco épocas, Pablo Aimar foi a maior de todas as ilusões dos adeptos benfiquistas, na sua maioria incapazes de reconhecer que o jogador cujo talento  levantou tantos estádios na Argentina e em Espanha não passou por Portugal – a não ser pelas suas cabeças. Foram cinco longos anos a insuflar uma fantasia que tudo indica estar agora prestes a terminar – a acreditar nas notícias, o final do romance entre o argentino e os benfiquistas está marcado para breve.

Poder-se-ia dizer que foi bom enquanto durou, mas tal como aqui escrevi em Janeiro – num texto que me valeu centenas de comentários críticos e até uma ameaça de morte – a relação futebolística de Aimar com o Benfica, sobretudo nas últimas duas épocas, foi mais platónica do que outra coisa qualquer. Não sou eu que o digo; são os números.

Esta época Aimar participou em 13 jogos no campeonato nacional. Em nenhum deles foi titular. Ao todo, fez 207 minutos de jogo – uma média de 15,9 por cada um dos 13 em que entrou. Não marcou qualquer golo. Quanto a assistências, zero. No conjunto de todas as competições, o argentino completou 510 minutos distribuídos por 21 jogos. Contas feitas, dá uma média de 24 minutos em cada partida. Em apenas quatro foi titular.

Mais números: durante cinco épocas, Aimar marcou um total de 12 golos pelo Benfica no campeonato – uma média de 0,1 por jogo. Para termos uma ideia da diferença entre o Aimar do Benfica e o do River Plate, onde começou, basta referir que só na época 1999/2000 (a sua última na Argentina) fez tantos golos como em cinco temporadas em Portugal. Em Espanha, com o Valência, cimentou a fama de génio, com golos, assistências e um futebol que lhe valeu um estatuto que mais ninguém tem: o de ser o ídolo do melhor jogador de todos os tempos, Leo Messi. 

Tivesse o Benfica contado esta época com o Aimar do River Plate e do Valência e o clube teria vencido o campeonato, a Liga Europa e seguramente teria evitado a humilhação da final da Taça de Portugal. Não teve – nunca teve durante cinco anos, a não ser a espaços. Poder-se-ia dizer que não ver isto é não perceber nada de bola mas isso seria partir de um princípio estúpido: o de que é possível analisar a modalidade de forma puramente racional. Não é. Futebol é paixão. E a mesma paixão que alimenta a ilusão também emagrece o raciocínio. 

 E agora fiquem alguns filmes do verdadeiro Aimar

 

 

 









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