HOMEPAGE

A receita de Jorge Jesus para vencer
Publicado em: 25 Abr, 2013
Partilhar: Partilhar no Twitter

1 – Confiança
Se Jorge Jesus pagasse um cêntimo de imposto por cada auto-elogio que faz estaria certamente na ruína. É evidente que o treinador do Benfica adora cada pedaço da sua pele, cada centímetro do seu corpo, cada milímetro do seu cérebro. A equipa que lidera é encarada como uma das certamente múltiplas extensões do seu enorme génio. É por isso que quando o ouvimos dizer que o Benfica “tá muita forte” devemos, na realidade, perceber que o treinador está obviamente a referir-se à sua própria forma. E a verdade é que há que reconhecer que o faz com propriedade. Não é preciso ser tão genial quanto Jesus para reconhecer que o Benfica foi, de longe, a melhor equipa portuguesa na época que está prestes a terminar. Fez um campeonato mais imaculado que a Virgem Maria – tão branquinho que não merecia os miminhos que o senhor Capela decidiu oferecer-lhe no último domingo frente ao Sporting.
2 –  Ambição
Um homem com a confiança do treinador do Benfica desconhece limites. E isso transforma-o num perigo porque a ambição desmedida, desenfreada e descontrolada, embriaga. E Jesus já pareceu muitas vezes embriagado desde que aterrou na Luz – quem não se lembra de o ouvir dizer, sem se rir, que o Benfica era um candidato a vencer a Liga dos Campeões? Não me interpretem erradamente: não há mal nenhum em ser-se ambicioso; o que me parece preocupante é que deixemos que a ambição nos esmague a lucidez. Esta época o treinador do Benfica tem conseguido manter-se, com alguns deslizes pontuais, razoavelmente sóbrio. Agora que se aproxima um corpo-a-corpo com o destino, seria importante que não se deslumbrasse de novo.
3 – Fé
É fácil ter fé – o que é difícil é acreditar nela, ter a certeza de que há algo que nos transcende e defende para lá das fronteiras desenhadas pela razão. Os adeptos do Benfica já encontraram a sua religião. E escolheram um objecto de veneração, que curiosamente é o mesmo que o do seu treinador: chama-se Jorge Fernando Pinheiro de Jesus, tem 59 anos, gosta de mascar pastilha de boca aberta e cobra quatro milhões de euros por temporada. Será ele que logo à noite terá de embalar a crença e as esperanças de uma multidão cega pela obsessão do regresso a um lugar onde já foi feliz: as noites de glória eterna nas competições europeias. Neste momento têm quase tudo para o conseguir: confiança, ambição e fé. Só lhes falta EusébioNada que Jesus não consiga resolver.








Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Current ye@r *