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O meu artigo de hoje no Record: Jesus, o filósofo do povo
Publicado em: 15 Mar, 2013
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Até ao início desta semana sabia-se que Jorge Jesus percebia de futebol. Sabia-se ainda que não era especialista em banca (o treinador do Benfica perdeu uma fortuna no BPP). Não se sabia de todo que era um mestre em filosofia: “O coração tem razões que a razão não entende”, disse o treinador do Benfica na passada terça-feira durante uma aula que deu na Faculdade de Motricidade Humana, perante uma plateia de universitários maravilhados com a sua sapiência.

 

 

 

Jorge Jesus não escolheu Blaise Pascal para impressionar a audiência só porque lhe apeteceu: sendo o treinador do Benfica um feroz defensor do primado da paixão no futebol, não poderia encontrar melhor companhia do que o matemático, físico e teólogo francês, considerado um dos maiores expoentes intelectuais da eterna luta filosófica entre os defensores da razão e os ortodoxos da emoção.

Foi Pascal quem, no século XVII, colocou em xeque o racionalismo cartesiano, ao declarar que as coisas da vida não são passíveis de explicações meramente geométricas – de facto, é difícil dar respostas definitivas e absolutas quando o assunto é algo tão complexo e tão rico como o Homem.

Jesus não é um génio como Pascal – lamento, Jorge, era uma notícia que tinha para lhe dar – mas consegue ser muitas vezes brilhante na forma como articula duas coisas aparentemente conflituantes: a necessidade de montar um esquema táctico consistente e o incentivo à criatividade, à explosão e à diferença. O seu Benfica – o melhor Benfica, aquele de que qualquer adepto de bom futebol deveria gostar – é isso: uma mescla cada vez mais harmoniosa de rigor táctico e liberdade criativa; de geometria defensiva e anarquia organizada no ataque. O resultado está à vista: primeiro lugar no campeonato e passagem à fase seguinte da Liga Europa. E o mérito deve-se largamente a um treinador que é, há que reconhecê-lo, bem maior do que aquilo que a pequenez do seu léxico permite antever.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 









1 comentário a “O meu artigo de hoje no Record: Jesus, o filósofo do povo

  1. rui

    BEM VISTO! SÓ QUANTO AO ULTIMO PARAGRAFO. TER EDUCAÇÃO OU NÃO É UM PROBLEMA DE CADA UM DESDE QUE NÃO OFENDA NINGUÉM. É ESCUSADO PUBLICITAR AQUILO QUE ACHAMOS, SUBJECTIVAMENTE, DEFEITO NOS OUTROS. TAMBÉM CONCORDEI COM A CRITICA AO AIMAR.

    Responder

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