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A minha crónica desta semana no Record: Ronaldo
Publicado em: 07 Mar, 2013
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Uma vez mais, o rapaz fez miséria. O palco era especial: Old Trafford, cenário de tantas e tantas tardes de glória quando vestia a camisola do Manchester United. Em Inglaterra, Ronaldo já era um jogador letal. Hoje é mais do que isso: transformou-se num futebolista absolutamente fatal. Com ele em campo, dificilmente o Real Madrid perde. Acontece todas as semanas no campeonato espanhol – onde a pior fase do Real Madrid coincidiu com o abaixamento de forma de Ronaldo – e repetiu-se na passada terça-feira.

Mas o que faz de Ronaldo um jogador tão estupidamente decisivo? Em 2012, uma marca de lubrificantes produziu um documentário sobre o jogador em que só não o veste com uma capa de super-herói porque provavelmente não havia nenhuma disponível no dia das filmagens. No filme, o futebolista surge a rebentar paredes de vidro com os seus tomahawks, a competir com corredores de topo, a escapar de snipers e a fazer muitas outras acrobacias – tudo com o objectivo de determinar de forma científica o segredo das suas incríveis exibições.

 

 

 

Entre outras coisas, colocaram-lhe uns óculos de rastreamento para registar onde o atacante português fixa sua atenção quando dribla. O resultado foi impressionante. O seu olhar fazia movimentos precisos desde a bola à cintura do adversário, antecipando-se sempre ao movimento que o marcador iria fazer. Segundo a psicóloga desportiva Zoe Wimhurst, “se lhe perguntarem, não saberá dizer para onde estava a olhar, porque tudo está no seu consciente. Ele sabe onde recorrer à informação de que necessita para obter os melhores resultados”. Manuel Martín-Loeches, neurocientista do Instituto Carlos III de Madrid, acrescenta que se trata de “um mecanismo de sobrevivência que desenvolvemos depois de anos de luta por sobreviver e reproduzir-nos num ambiente hostil”.

 

 

No teste seguinte, uma bola é cruzada para Ronaldo. Objectivo: marcar golo. Problema: o exercício é feito com as luzes apagadas. Problema para mim; problema para o leitor; fácil para o jogador do Real Madrid, que acerta à primeira – e, para provar que não foi sorte de principiante, volta a marcar uma segunda vez.

Resumindo: o Ronaldo que esta semana varreu Manchester não é, como muitos sugerem, apenas o resultado de um físico brutal, que lhe permite chutar a velocidades bem superiores a 100 km/h ou correr 100 metros com bola em cerca de 10 segundos. Ronaldo é, acima de tudo, um portento cerebral, dotado de uma mente terrivelmente ágil e ambiciosa – uma pequena obra de arte, ideal para divertir os adeptos e embriagar os adversários.

 

 

 









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