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A minha crónica no Record
Publicado em: 22 Fev, 2013
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No final do Benfica-Bayer Leverkusen, aconteceu uma coisa estranha – ou melhor, várias coisas estranhas. Primeira: ao falar na flash interview, Jorge Jesus não atribuiu a vitória a si mesmo e aos seus transcendentais conhecimentos tácticos. Segunda: o treinador do Benfica não comparou directamente a sua equipa com as melhores do mundo – é certo que o fez de forma indirecta, ao dizer que o Bayer está ao nível do Bayern de Munique, mas é uma mentira que se lhe perdoa. Terceira: ao contrário do que costuma acontecer depois das grandes vitórias – e ontem, apesar de o Bayer ter jogado mais e melhor, o Benfica obteve uma grande vitória – Jesus não rejubilou, limitando-se, pelo contrário, a sublinhar as sequelas que o jogo provocara nos jogadores, alegadamente sem condições para recuperarem até ao próximo domingo, o dia em que o Benfica jogará contra o Paços de Ferreira.

 

jesus

 

Se José Mourinho ou Alex Ferguson não tivessem coisas mais importantes para fazer numa noite fria de quinta-feira do que ouvir Jorge Jesus, ontem teriam de esforçar-se para não ceder à gargalhada fácil. As suas equipas fazem 60 jogos por época. É frequente competirem três vezes por semana. Não se queixam – e não têm plantéis maiores do que o do Benfica.

Jesus não é burro – é um fenómeno. Só isso explica o facto de, tendo conseguido resultados desportivos apenas medianos (um campeonato, quatro taças da Liga e sucessivos desastres nas provas europeias), ser um dos treinadores mais bem pagos do mundo – sim, do mundo. De acordo com um estudo realizado Jesus aufere 4 milhões de euros anuais no Benfica. Um milhão e meio a mais do que Joaquim Low, seleccionador da Alemanha, e mais do que alguma vez foi pago a um treinador em Portugal – Mourinho incluído.

 

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Nem tu ganhavas em Portugal o que encaixa Jesus, Zé

 

Jesus sabe que se quiser manter-se no clube dos mais ricos precisa garantir que tudo o que de terrível aconteça à equipa daqui para a frente não será encarado pelos adeptos como um falhanço unicamente atribuível à sua falta de génio ou à sua visível dificuldade em manter uma equipa a jogar bem durante mais de meia época.

É nesse quadro que devem ser entendidos os seus lamentos no final do jogo de ontem. É a História a repetir-se: uma vez mais, o Benfica chega a Fevereiro em quebra clara. Face à evidência, Jesus fez aquilo em que é melhor: desenhou uma táctica. Que passa por baixar expectativas e insinuar explicações alheias à sua falta de capacidade ou talento. Nos últimos anos resultou sempre – os adeptos perdoaram-lhe tudo. Agora tenho dúvidas. Jesus pode começar a rezar.









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