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Os bastidores das minhas notícias – II
Publicado em: 07 Jan, 2013
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Esta foi uma das notícias que mais marcaram o início da minha carreira – pela positiva e pela negativa. Trata-se da investigação que, ainda no defunto Euronotícias, fiz sobre o património de Margarida Martins, presidente da Associação Abraço. Foi o primeiro trabalho com grande visibilidade pública que realizei – e também a reportagem que me valeu o primeiro de muitos processos em tribunal.

Tudo começou com um telefonema. Do outro lado, uma fonte queria falar-me sobre o “enorme” património que Margarida Martins teria acumulado enquanto presidente da Abraço. Falou-me de casas em Lisboa e Sintra. De um monte faustoso no Alentejo. De obras de arte doadas por artistas à associação, que alegadamente teria “desviado” para um dos seus opulentos apartamentos.

Durante várias semanas, corri as conservatórias do registo predial para veriificar se efectivamente Margarida Martins tinha todo aquele património. Confirmei-o apenas parcialmente. Algumas das propriedades estavam registadas em nome dela, mas verifiquei que outras eram – ou, pelo menos, estavam no seu nome – de duas figuras que lhe estavam próximas: a pessoa que então vivia consigo e um tio.

Com os registos de propriedade na mão, confrontei as minhas fontes com o facto de me terem enganado sobre a vastidão do património da senhora. Resposta: são falsas propriedades. O que ela alegadamente faria era arranjar “testas de ferro” para colocar património em seu nome. Acreditei e coloquei o assunto à consideração da direcção do jornal. O dilema era enorme: deveríamos avançar com uma notícia em cuja veracidade confiávamos, mas que dificilmente seria defensável em tribunal caso Margarida Martins avançasse com um processo?

Decidimos publicar. Margarida Martins reagiu imediatamente com uma mega-conferência de imprensa transmitida em directo pelos telejornais. Uma espécie de comício em que até pessoas como o inenarrável António Perez Metello foram molhar a sopa para falar do “jornalismo de sarjeta” que se pratica entre nós.

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A segunda manchete

Depois da primeira manchete, publicámos logo na semana seguinte uma segunda, desta vez centrada na questão das obras de arte alegadamente desviadas. Mais um escândalo – e mais uma conferência de imprensa, em que Margarida reafirmou a intenção de me processar judicialmente. E que já tinha advogado e tudo: Ricardo Sá Fernandes, que também aproveito para cumprimentar vivamente.

Entretanto o Euronotícias – cujo proprietário me prometeu, aquando da decisão de publicação, que estaria eternamente do meu lado – faliu. E o dono – um senhor chamado Armando Jorge Carneiro – subitamente desapareceu. Num curto espaço de tempo eu deixara de ser o jornalista “mais estratégico” para o jornal, passando a ser um incómodo que importava ignorar – Armando colocara-se de fora.









2 comentários a “Os bastidores das minhas notícias – II

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