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Hipocondríaco como Woody Allen
Publicado em: 18 Jan, 2013
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woody

A pontada foi fulminante. Atravessou-me o crânio e rasgou-me furiosamente as meninges em direcção ao cérebro. Assustado com o que acabara de sentir, olhei para a minha mulher como se fosse a última vez que a observasse lúcido.

– Rita, acho que acabo de sofrer um derrame cerebral.

– O quê????!!!!! Derrame cerebral? Deixa-te disso.

A sério, tenho de ir às urgências, isto é grave.

– Tens noção de que isso é ridículo, certo?

– Tenho que ir, ainda tenho muitas dores. Vens comigo, por favor?

– Só vou se prometeres que não dizes ao médico que tiveste um derrame cerebral.

– Prometo.

Já no hospital:

– Então diga-me o que o traz cá.

– Tive um derrame cerebral, doutor.

– Fernando!!!!!

Exames feitos, concluiu-se que afinal não estava quase gagá: tinha uma inflamação ocular. A Rita fez um sorriso condescendente; eu respirei fundo.

Pela frequência com que me acontecem, estas situações contribuíram para que os meus amigos de uma forma geral me acusem de hipocondria. Errado. Não sou hipocondríaco. Serei, isso sim, um alarmista. Alguém que por ter um quisto sebáceo (blhaaaaaaaaccc…) se convence instantaneamente de que foi atacado por um cancro maligno e a morte é uma questão de dias. Ou que por ter uma dor persistente nas costas sofre de espondilite anquilosante. A dor está lá; o diagnóstico é que podia ser mais rigoroso.

Escrevo isto porque acabo de ler no The New York Times um texto fantástico de outro falso hipocondríaco, Woody Allen, que diz tudo o que sempre quis dizer aos meus amigos sobre o tema. Ora vejam. Vale a pena.

woody33

 

WHEN The New York Times called, inquiring if I might pen a few words “from the horse’s mouth” about hypochondria, I confess I was taken aback. What light could I possibly shed on this type of crackpot behavior since, contrary to popular belief, I am not a hypochondriac but a totally different genus of crackpot?       

What I am is an alarmist, which is in the same ballpark as the hypochondriac or, should I say, the same emergency room. Still there is a fundamental difference. I don’t experience imaginary maladies — my maladies are real.       

What distinguishes my hysteria is that at the appearance of the mildest symptom, let’s say chapped lips, I instantly leap to the conclusion that the chapped lips indicate a brain tumor. Or maybe lung cancer. In one instance I thought it was Mad Cow.       

The point is, I am always certain I’ve come down with something life threatening. It matters little that few people are ever found dead of chapped lips. Every minor ache or pain sends me to a doctor’s office in need of reassurance that my latest allergy will not require a heart transplant, or that I have misdiagnosed my hives and it’s not possible for a human being to contract elm blight.

But why should I live in such constant terror? I take great care of myself. I have a personal trainer who has me up to 50 push-ups a month, and combined with my knee bends and situps, I can now press the 100-pound barbell over my head with only minimal tearing of my stomach wall. I never smoke and I watch what I eat, carefully avoiding any foods that give pleasure. (Basically, I adhere to the Mediterranean diet of olive oil, nuts, figs and goat cheese, and except for the occasional impulse to become a rug salesman, it works.) In addition to yearly physicals I get all available vaccines and inoculations, making me immune to everything from Whipple’s disease to the Andromeda strain. 









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