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Gina, a revista que andava de mão em mão
Publicado em: 16 Jan, 2013
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Mão amiga fez-me chegar uma edição especial da revista Les inRockuptibles (LI). Trata-se de uma publicação francesa criada em 1986 para falar de rock, mas que entretanto mudou de perfil e abriu a áreas como o cinema, a fotografia, a literatura ou a actualidade. Pelo caminho tornou-se uma referência editorial, sobretudo para os intelectuais de esquerda.

Escrevo sobre a LI porque ao ler – ou melhor, ao ver – o número que o meu amigo me ofereceu, um magnífico especial sobre sexo, carregadinho de fotografias do mais explícito que pode haver, lembrei-me da saudosa Gina. Gina? Sim,Gina: a maior referência no mercado das revistas eróticas – devo dizer pornográficas? – em Portugal, cujo desaparecimento precoce cavou um triste vazio nos corações e na memória de muitos portugueses.

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Na capa as jovens surgiam meio tímidas. Umas páginas depois ficavam mais soltas

Foi em Setembro de 1974, já na ressaca do 25 de Abril, que Mário Gomes, das edições Pirâmide, traduziu o primeiro número. A resposta foi estrondosa: em apenas um mês, foram publicadas quatro edições de 150 mil exemplares cada. Custava 30 escudos, uma ninharia tendo em conta os conteúdos de elite que disponibilizava. O mercado reconheceu-o, aceitando pacificamente o aumento do preço para os 50 escudos. À sua maneira, a Gina era o braço armado da revolução no que aos comportamentos respeitava. E a prova viva de que com Salgueiro Maia não vieram apenas chaimites para as ruas – a líbido dos portugueses também estava furiosamente de regresso, depois de quatro décadas aprisionada em teias de aranha.

A Gina era boa porque era transversal, intergeracional e internacional. Jovens, velhos, brancos, negros, indígenas, imigrantes, bonitos, horríveis, atletas e coxos, todos gostavam de ter a sua. O seu sucesso foi tão esmagador que abriu espaço para o lançamento de novos títulos – a Tânia, por exemplo. Mas também aqui se confirmou uma regra básica: a cópia é sempre pior do que o original. As fotos não eram tão ambiciosas e, sobretudo, a riqueza dos diálogos – obviamente fundamental neste tipo de publicações – deixava muito a desejar. Os da Gina eram de uma brejeirice erudita onde até as calinadas no português tinham graça; os da Tânia eram apenas brejeiros – sem erudição nem calinadas.









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