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A minha crónica desta semana no Record
Publicado em: 01 Jan, 2013
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MOURINHO DEVE SAIR DO REAL – JÁ

 

Recentemente, a Rádio Marca, uma das mais populares em Espanha, difundiu uma notícia explosiva: há um “espião” no balneário do Real Madrid que denuncia a José Mourinho os comportamentos “desviantes” dos jogadores do plantel. O “infiltrado” é, segundo a estação, Silvino Louro, o antigo guarda-redes do Benfica que há muitos anos integra a equipa técnica do treinador português e de quem é amigo pessoal.

Desconcertado com a fuga de informação, Mourinho – cujo divórcio com os jogadores “históricos” do clube e com os adeptos é cada vez mais dramático – não conseguiu deixar de ser Mourinho: depois de uma conferência de imprensa realizada no estádio Santiago Bernabéu, mandou chamar o autor da notícia, fechou-o numa sala e, na presença da sua equipa técnica, mergulhou durante cerca de 30 minutos numa orgia de humilhação, insulto e egocentrismo só ao alcance dos eleitos. E o que disse o eleito? Segundo o relato da conversa que o jornalista fez ao jornal desportivo “Marca”, muitas coisas – todas elas obviamente geniais. Transcrevo as mais inspiradas, com a obrigatória tradução livre – e sublinho o “livre” de forma particularmente veemente.

– “En el mundo del fútbol yo y mi gente somos top y en el mundo del periodismo tu eres una mierda”.

Tradução: eu sou o maior e tu és um jornalista de vão de escada.

– “A mí me han dicho que eres un hijo de puta y una muy mala persona, y yo en vez de creérmelo, pienso otra cosa”.

Tradução: como tenho um coração espectacular, não acreditei em quem me disse que és um crápula, mas parece que afinal até eu, que nunca me engano e raramente tenho dúvidas, fui ludibriado. E olha que não é fácil porque, não sei se já te disse, sou dotado de uma inteligência extremamente extraordinária.

– “Mientras sea entrenador del Real Madrid te respetaré siempre, cuando deje de serlo, serás una persona más de la calle y entonces veremos…”.

Tradução: se te apanho à frente quando deixar o clube, passo-te a ferro.

Mourinho é treinador do maior clube do Mundo mas não é o maior treinador do Mundo. Se o fosse, saberia quatro coisas básicas:

1 – O treinador do Real Madrid não pressiona, insulta ou ameaça jornalistas – e ele, a ser verdade o que revelou o profissional da Rádio Marca, tê-lo-á feito;

2 – O treinador do Real Madrid não agride fisicamente os seus adversários – e ele já espetou um dedo no olho de Tito Vilanova, atual treinador do Barcelona;

3 – O treinador do Real Madrid não lança suspeitas infundadas sobre a arbitragem – e ele tem repetidamente insinuado que o sucesso do Barcelona está umbilicalmente ligado à simpatia dos árbitros pela equipa;

4 – O treinador do Real Madrid não desafia os adeptos – e ele fê-lo no início de dezembro, quando anunciou que subiria sozinho ao relvado do Santiago Bernabéu 10 minutos antes do início de um jogo, para que o assobiassem, caso fosse essa a sua vontade.

Em dois anos e meio de vida em Madrid, Mourinho conseguiu que o peso gigantesco do seu ego o tornasse num ativo tóxico para o clube. Um feito notável, tendo em conta que foi ele que, com o enorme talento que de facto possui, montou a equipa fantástica que na última época esmagou todos os recordes da história do Real Madrid. Mas Mourinho é hoje material inflamável. Tudo arde à sua volta. Os jogadores conspiram contra si. Os jornalistas detestam-no. Os adeptos não entoam o seu nome no estádio. Cheira a fim de ciclo no Bernabéu. Resta agora saber o que pensa Mourinho fazer. Tem duas opções: ou insiste em ficar e aprofunda o fosso aberto entre si, os jogadores e os adeptos, ou sai pelo seu pé e cria uma oportunidade para fazer de um final triste o início feliz de outra aventura qualquer.









1 comentário a “A minha crónica desta semana no Record

  1. Fernando Esteves Autor do artigo

    Caro João Tomé: o problema de Mourinho é que ele está convencido de que todos os jornalistas têm uma agenda. E isso, que lhe tolda completamente o juízo, não é de todo verdade.

    Responder

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