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A minha crónica de hoje no Record
Publicado em: 03 Jan, 2013
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MESSI É MELHOR DO QUE RONALDO – MESMO 

A menos que Cristo desça à Terra para miraculosamente estender a mão a Cristiano Ronaldo, na próxima segunda-feira, dia 7 de Janeiro, Lionel Messi receberá, pela quarta vez consecutiva, a Bola de Ouro, o troféu que distingue o melhor jogador de futebol do planeta. No momento em que for anunciado o nome do argentino, o português, impecavelmente vestido de negro, com dois brilhantes nas orelhas e três litros de gel no cabelo, olhará envergonhadamente para o chão e, depois de contar até 10 para não chorar como uma criança, encarará a audiência e esboçará um sorriso tão genuíno como umas Levi’s compradas na Feira do Relógio. Naquele segundo assassino, o mundo identificará a agonia de alguém que há muito se encontra em estado de negação. Na cabeça de Ronaldo, Messi não é melhor do que ele. Não é mais rico do que ele. Não é mais bonito do que ele. Não. Não. Não.

Vamos aos números: em 2012, Messi marcou 91 golos em 68 jogos. Foi o melhor marcador do campeonato espanhol, com 50 golos, e venceu a Supertaça Europeia de clubes e o Mundial de clubes. Já durante esta temporada, marcou 26 golos em apenas 17 jornadas da Liga. E terminou o ano com 25 golos em jogos internacionais, igualando o recorde de Vivian Woodward, que durava há mais de 100 anos.

 

Agora Ronaldo: marcou 46 golos na Liga e um total de 63 (menos 28 do que Messi) em todas as competições, novos máximos na sua carreira. Para além disso, foi campeão pelo Real Madrid, num ano em que a equipa bateu todos os recordes da história do clube. E foi semi-finalista do Europeu de futebol. Esta temporada, as coisas estão-lhe a correr menos bem: o Real Madrid está a fazer um campeonato desastroso e Ronaldo – um génio do futebol cujo maior azar foi coincidir com um jogador único e irrepetível – já leva 12 golos a menos que Messi.

A distância numérica entre Messi e Ronaldo é óbvia. Mas o futebol é muito mais do que estatística – é talento, genialidade, improviso e simplicidade. E também aqui Messi volta a vencer folgadamente. Mas o que é uma evidência para quase todos os que gostam de futebol, não o é para Ronaldo. Nem pode ser, porque é desse atrito que ele se alimenta. No filme “Clube de Combate”, de David Fincher, a dada altura o personagem Tyler Durden, desempenhado por Brad Pitt, afirma que não nos podemos conhecer a nós mesmos sem que antes participemos num combate duro. Talvez seja isso que verdadeiramente está em curso para o jogador português: um processo de profunda descoberta, travestido de uma disputa fratricida carregada de ambição, obsessão e raiva. Sim, Ronaldo vai perder este combate. Mas, paradoxalmente, será o facto de o ter disputado que lhe dará o direito a figurar entre o lote dos melhores jogadores da história do futebol.

 









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