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A inacredítável entrevista da SIC a Pépa Xavier
Publicado em: 14 Jan, 2013
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Nos últimos dias todos rimos da Pépa. Dos desejos da Pépa. Do sorriso da Pépa. Da oralidade da Pépa. O circo foi montado um pouco por todo o lado: nos blogues, no Facebook, nos jornais online e em papel . Até ao último sábado, faltava a televisão. Faltava, já não falta, porque Maria João Ruela decidiu patrocinar, através de uma belíssima entrevista, o debute de Pépa no horário nobre da SIC.

A entrevista teve uma infinidade de virtudes. A maior delas foi provar definitivamente que a SIC é, claramente, uma estação que se preocupa com o interesse público. Saber o que leva uma jovem a sonhar em comprar uma carteira Chanel que pode custar cerca de 3000 euros é, naturalmente, bem mais importante do que tentar perceber porque é que Pedro Passos Coelho quer rebentar com o que resta deste país.

Outro atractivo não negligenciável da entrevista foi dar-nos a espantosa possibilidade de descobrir o magnífico ser humano que é Maria João Ruela. Atente-se na bondade desta pergunta: “Agora que está contextualizado o problema da mala, faça-me um verdadeiro desejo para 2013.” Tradução: agora que te dei a possibilidade de provares que não és uma atrasada mental, diz lá qualquer coisa de jeito. Sim, porque sonhar em comprar uma carteira que é um clássico da moda não é uma coisa digna num país em crise. Não chega, aliás, a ser uma coisa – é nada.

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Kim Kardashian com a sua Chanel 2.55. Pépa: rói-te de inveja

Mas as qualidades de Ruela não se ficam pela sua extrema generosidade. Nota-se, também, que a palavra preconceito não consta do seu apesar de tudo interminável léxico. Centremo-nos noutra pergunta – ou melhor, numa arguta observação feita na sequência da revelação, por parte da blogger, de que tem um emprego precário, em que recebe apenas 700 euros mensais: “A sua família de certeza que tem possibilidades de a ajudar.” Esta afirmação é magnífica porque nos dá a ideia do potente músculo profissional de Ruela: antes da entrevista, seguramente que se documentou de forma exaustiva sobre as raízes da entrevistada. Claro que sim. É certo que Pépa nega que os pais nadem em dinheiro. E jura que até sentem os efeitos da crise. Marota: não se coloca assim em causa a investigação da ex-repórter-de-guerra-que-até-apanhou-um-tiro-e-tudo.









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